A base da formação do Vigor é estruturada através do estudo de três centros de energia, que abordam as maiores habilidades do ser humano (sentir, pensar e agir). São conhecidos como:

O ar — em Aramaico, tem relação com a letra ALAF  — é o elemento que rege o peito como um todo. Trata do silêncio primordial, não diz respeito a ficar quieto, sem produzir barulho, mas, sim, do silêncio que precede tudo. Dentro de cada um de nós, existe um falatório interno e para viver mais plenamente, é fundamental silenciar e aquietar essas vozes. Tem relação com o ato de sentir.

O fogo  — referente a letra SHIN — rege a cabeça, direciona os pensamentos, o que determina e organiza tudo aquilo que passa pela cabeça. Aquece a nossa visão, aquece a nossa vida, pois dá sentido e propósito às coisas ao nosso redor. É por meio deste que conseguimos dar clareza aos fatos, que temos a habilidade de compreender o que está acontecendo, sendo assim, refere-se ao ato de pensar.

E por fim, as águas — é o equivalente à letra MIM — têm relação com o abdômen, processam as energias da terra que entram dentro de nós. É o que nos permite moldar os acontecimentos. Aborda o ato de agir, fazer fluir.

O equilíbrio entre esses três centros é imprescindível, enquanto o fogo precisa aquecer as águas e as águas precisam esfriar o fogo, é o ar que faz com que essa dinâmica aconteça de maneira adequada, permitindo que haja harmonia. Sendo assim, é por meio desses três centros e seu equilíbrio que nossa energia é fortalecida.

Por exemplo, ao sentir dor de cabeça, é preciso saber identificar o que esse calor significa. Esse é um indicativo de que há um fogo excessivo na cabeça, fazendo com que haja um desequilíbrio no corpo. 

De maneira que, um indivíduo saudável, para a Medicina Cabalista, é aquele que têm a cabeça fria e o abdômen quente, enquanto aquele que apresenta a cabeça quente e o abdômen frio é considerado alguém adoecido. Esse fluxo de energia entre os três centros deve ser algo diário, não se trata somente de uma questão cognitiva, diz respeito, na verdade, a como nos comportamos diante de situações complicadas do dia a dia.

Ao passo que exercitamos nossos 3 centros, seja por meio de meditações ou de exercícios de respiração, melhoramos não só a relação com nós mesmos, mas também com aqueles à nossa volta, tanto em questões pessoais, quanto profissionais. Dessa forma, temos resultados positivos e significativos nos mais diferentes âmbitos.

Dentro da Medicina Cabalista, há um esforço para que o curador seja formado em três bases: autoconhecimento, aprendizado técnico e alta performance — o ato de perceber como está lidando com os problemas.

Esse tipo de conhecimento não surgiu a partir de filósofos, estudiosos e pensadores, seu berço, na realidade, vem de um grupo de nômades originários do continente africano, que possuíam uma grande conexão com a natureza, visavam a cura enquanto lidavam com aspectos do cotidiano, como, por exemplo, a agricultura e a criação de animais. Sendo assim, é visto como um pensamento “pé no chão”, que permite construir uma relação plena e madura entre as 12 áreas da vida.

A cura é um processo lento, sendo visto como um encadeamento de movimento.  É uma construção contínua. Sendo assim, não é feita de uma hora para outra, de graça e sem esforço. Tomar o poder da cura nas mãos é essencial, ter autoria na própria vida é fundamental, é preciso assumir o curador que há dentro de cada um de nós. 

Portanto, assumir esse papel começa no momento em que compreendemos a importância dos 3 centros de energia, ao interagirmos com a natureza que habita dentro de nós. 

É importante pontuar que dentro da Cabala Ancestral existe o pensamento de que vivemos na natureza e a natureza está dentro de nós. No minuto em que abrimos a escuta e compreendemos o que está acontecendo ao nosso redor, há uma maior clareza para entender o que acontece no nosso íntimo.

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